Cámara Moncorvo investiga raíces en trasmontanas del escritor Jorge Luís Borges
Que los antepasados del escritor argentino Jorge Luís Borges eran de Trás-os-Montes es un hecho conocido. El propio Borges intentó identificar el linaje de su bisabuelo portugués en 1921, durante una visita a Portugal. "Cuando consultamos la guía telefónica había tantos Borges que era como si no existiera ninguno. Había cinco páginas de familiares". Ahora, la Cámara de Moncorvo y la Embajada Argentina investigarán los orígenes del escritor.
14 de septiembre de 2014
La Cámara Torre de Moncorvo y la Embajada Argentina en Portugal iniciaron un proceso que culminará con un estudio y un documental sobre las raíces Trás-os-Montes del escritor argentino Jorge Luís Borges. El trabajo se desarrollará en colaboración con la Universidad Nacional de San Martín, en Argentina, y tiene como objetivo desarrollar un estudio genealógico sobre la ascendencia de uno de los escritores argentinos más importantes, Jorge Luís Borges.
El anuncio lo hizo este sábado el representante de Argentina en Portugal, Jorge Arguello, en la playa fluvial de Foz do Sabor, donde se desarrolla la primera edición del Sabor D'ouro Summer Fest Wine.
La investigación genealógica recorrerá alrededor de 200 años de historia, hasta llegar a las raíces Trás-os-Montes del escritor, quien nació en Buenos Aires (capital de Argentina) el 24 de agosto de 1899.
En 1850, el bisabuelo del escritor, Francisco Borges, abandonó la Torre de Moncorvo, parte de una expedición militar portuguesa que atracó en la región argentina del Río de la Plata, y nunca regresó a Portugal.
"Estamos seguros de que Jorge Luís Borges es bisnieto de Francisco Borges. No estamos seguros de las circunstancias que rodearon el nacimiento de Francisco Borges", subrayó el diplomático, quien visitó el municipio para intentar establecer un acuerdo entre la UNSM y la Ayuntamiento de Torre de Moncorvo.
"Próximamente la universidad argentina enviará un equipo de filmación, con miras a seguir la pista del bisabuelo de Jorge Luís Borges", precisó.
El propio Borges intentó identificar el linaje durante una visita a Portugal en 1921. Años más tarde, hablaría de las dificultades de la investigación en una entrevista.
"Cuando consultamos la guía telefónica, había tantos Borges que era como si no existiera ninguno. Había cinco páginas de familiares. El infinito y el cero son parecidos. No podía llamar a cinco páginas de personas y preguntar: 'Dime algo'. .: en su familia había un capitán llamado Borges, que se embarcó para Brasil a finales del siglo XVIII o principios del XIX?...'”.
De hecho, la referencia a los antepasados portugueses se hace en uno de sus poemas. " No sé nada o muy poco de mis antepasados / los portugueses, los Borges: gente vaga / Que en mi carne, oscuramente / Continúan sus costumbres, rigores y miedos. / Tenues como si nunca lo hubieran sido / Y ajenos a los procedimientos del arte / Indescifrablemente son parte / Del tiempo, de la tierra y del olvido / Mejor así la odisea está completa / San Portugal, son los personajes ilustres / Que forzaron las murallas de Oriente / Y se entregaron al mar y. el otro mar de arena ” .
El escritor, gran admirador de las obras de Camões y de Eça de Queiroz, también comentó, a propósito de la investigación genealógica de sus antepasados: "Descubrí con tristeza que un enemigo de Camões se llamaba Borges y se batieron en duelo".
Ahora, los investigadores intentarán esclarecer el misterio que rodea al bisabuelo de Borges y la historia de sus antepasados.
PTA (con Lusa)
Estudo
Câmara de Moncorvo investiga raízes transmontanas do escritor Jorge Luís Borges
Que os antepassados do escritor argentino Jorge Luís Borges eram transmontanos, é um facto conhecido. O próprio Borges tentou identificar a linhagem do bisavô português em 1921, durante uma visita a Portugal. "Quando consultámos a lista telefónica, havia tantos Borges que era como se não existisse nenhum. Tinha cinco páginas de parentes". Agora, a Câmara de Moncorvo e a Embaixada da Argentina vão investigar as origens do escritor.
14 setembro 2014
A Câmara de Torre de Moncorvo e a Embaixada da Argentina em Portugal deram início a um processo que vai culminar com um estudo e um documentário sobre as raízes transmontanas do escritor argentino Jorge Luís Borges. O trabalho vai ser desenvolvido em parceria com a Universidade Nacional San Martin, na Argentina, e pretende desenvolver um estudo genealógico sobre a ascendência de um dos mais importantes escritores argentinos, Jorge Luís Borges.
O anúncio foi feito este sábado pelo representante em Portugal da Argentina, Jorge Arguello, na praia fluvial da Foz do Sabor, onde decorre a primeira edição do Sabor D'ouro Summer Fest Wine.
A investigação genealógica vai percorrer cerca de 200 anos de história, até se chegar às raízes transmontanas do escritor, que nasceu em Buenos Aires (capital da Argentina) em 24 de Agosto de 1899.
No ano de 1850, o bisavô do escritor, Francisco Borges, saiu de Torre de Moncorvo, integrado numa expedição militar portuguesa que atracou na região argentina do Rio de la Plata, e nunca mais regressou a Portugal.
"Temos a certeza que Jorge Luís Borges é bisneto de Francisco Borges. Não estamos é certos das circunstâncias do nascimento de Francisco Borges", frisou o diplomata, que visitou o município para tentar estabelecer um convénio entre a UNSM e a Câmara de Torre de Moncorvo.
"Dentro em breve, a universidade argentina vai enviar uma equipa de filmagens, tendo em vista seguir o rasto do bisavô de Jorge Luís Borges", especificou.
O próprio Borges terá tentado identificar a linhagem durante uma visita a Portugal, em 1921. Anos mais tarde, contaria numa entrevista as dificuldades da investigação.
"Quando consultámos a lista telefónica, havia tantos Borges que era como se não existisse nenhum. Tinha cinco páginas de parentes. O infinito e o zero assemelham-se. Não podia telefonar a cinco páginas de pessoas e perguntar: 'Diga-me uma coisa: na sua família houve um capitão chamado Borges, que embarcou para o Brasil em fins do século XVIII ou princípios do XIX?...'".
A referência aos antepassados portugueses é feita aliás num dos seus poemas. "Nada ou bem pouco sei dos meus ancestrais / Portugueses, os Borges: vaga gente / Que na minha carne, obscuramente / Prossegue os seus hábitos, rigores e temores. / Ténues como se nunca tivessem sido / E alheios aos trâmites da arte / Indecifravelmente fazem parte / Do tempo, da terra e do olvido. / Melhor assim. Cumprida a odisseia / São Portugal, são a famosa gente / Que forçou as muralhas do Oriente / E se deu ao mar e ao outro mar de areia.”
O escritor, que era um grande fã das obras camonianas e de Eça de Queiroz, comentava ainda, a propósito da investigação genealógica sobre os seus antepassados: "Descobri com tristeza que um inimigo de Camões se chamava Borges e tiveram um duelo".
Agora, os investigadores vão tentar esclarecer o mistério que rodeia o bisavô de Borges e a história dos seus antepassados.
P.T.A. (com Lusa)

